sábado, 17 de setembro de 2011

Bandeira branca: razão x emoção.

O ser humano é um grande e complexo sistema. No âmago de todas as nossas atitudes  algo está sempre acontecendo dentro de nós, mexendo e vivendo conosco o tempo todo, existindo em nosso interior.

Não há sequer uma ação que executamos que não venha seguida de uma sensação, que não esteja fincada à um sentimento.

Uma conversa está sujeita à todo tipo de emoção: alegria se dividem a mesma opinião, pesar se compartilham a mesma dor, raiva e ódio se suas convicções são muito opostas.

É um mecanismo de resposta contínuo do organismo em relação à toda e qualquer ação e pensamento que desenvolvemos.

Apesar de fazerem parte do mesmo sistema, há diferenças entre sentimento e emoção.

O sentimento é uma opção pessoal no que diz respeito à maneira como encaramos determinadas situações. É o estado psicológico que é escolhido para viver. Por exemplo: você pode ficar desapontado com alguém, mas continuar amando essa pessoa porque você escolheu ter o sentimento do amor em relação à ela.

A emoção é a resposta imediata à uma situação. Ela é a reação do organismo aos estímulos externos, impulsiva, instintiva.

E há momentos em que esse instinto é particularmente importante para a sua própria preservação. Nessas horas, a emoção sobrepõe a razão e resolve questões que levariam mais tempo se passassem pelo racional.

No entanto, se as emoções tomassem à frente de todas as decisões, é muito provável que se perdesse a orientação, já que elas duram instantes. Com isso, os sentimentos aparecem para ajudar na função de manter as sensações vivas sem maiores danos ao cérebro.

Sabemos que a nossa sociedade foi construída privilegiando a mente racional sobre a mente emocional. Vista como desestruturante e cega, acabou relegada à segundo plano.

O que não nos demos conta  é que abandoná-la foi o que nos deixou sem chão. Formamos pessoas racionais e cultas, mas frágeis emocionalmente. E sem o equilíbrio dessas duas mentes fica difícil levar uma vida plena.

No famoso livro “Inteligência Emocional”, o autor Daniel Goleman enfoca o tema mostrando como o sistema emocional é responsável pelo sucesso ou fracasso de uma pessoa.

Para Goleman, a inteligência emocional é a maneira como as pessoas lidam com as suas emoções e a das pessoas à sua volta. Para isso, é necessário ter habilidades como autoconsciência, motivação, persistência, empatia e entendimento, além de características sociais como persuasão, cooperação, negociação e liderança.

Inteligência emocional não é uma característica adquirida ou genética. É algo aprendido no cotidiano, depende do esforço em querer usar as emoções a seu favor. 

“Nossa performance na vida é determinada não apenas pelo QI, mas principalmente pela inteligência emocional. Na verdade, o intelecto não pode dar o melhor de si sem a inteligência emocional – ambos são parceiros integrais na vida mental. Quando esses parceiros interagem bem, a inteligência emocional aumenta – e também a capacidade intelectual. Isso derruba o mito de que devemos sobrepor a razão à emoção, mas ao contrário, devemos buscar um equilíbrio entre ambas.” – diz o autor em entrevista para o site da ABRAE ( Associação Brasileira de Estudos das Inteligências Múltiplas e Emocional)


Mantendo a persistência, sabendo exatamente que meta se quer alcançar e estando alerta, é possível observar as sensações que o levam a determinadas situações, e evitar, então, que se repitam velhos hábitos. A chave é continuar com esse exercício analítico até que naturalmente os novos hábitos são incorporados ao seu comportamento.

Nessa mesma entrevista o autor dá dicas para o equilíbrio entre a mente racional e emocional.


“ (…) Esses aspectos integram a definição básica de inteligência emocional, expandindo aptidões em cinco domínios principais. O primeiro é conhecer as próprias aptidões, isto é, ter autoconsciência para reconhecer um sentimento quando ele ocorre. A capacidade de controlar os sentimentos a cada momento é crucial para o discernimento emocional e a autocompreensão. Consequentemente, o segundo aspecto é saber lidar com esses sentimentos e desenvolver a capacidade de confortar-se, livrar-se da ansiedade, da tristeza ou da irritabilidade. A partir de então, é necessário saber motivar-se, colocar as emoções a serviço de uma meta. Outro ponto imprescindível é reconhecer as emoções dos outros. As pessoas empáticas estão mais sintonizadas com os sutis sinais sociais, com os indicativos de que os outros precisam ou o que querem. A arte de relacionar-se passa, em grande parte, pela aptidão em lidar com as emoções dos outros. É essa aptidão que reforça a popularidade, a liderança e a eficiência interpessoal.”


Os tempos são outros e já está na hora de entendermos como razão e emoção nos moldam, como precisamos dos dois para termos uma vida mais saudável e inteligente!


Aqui no Vidai pensamos assim! Esperamos que a reflexão e prática também os ajudem!

Até logo!


--> Fonte da entrevista


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